Antes de ajudar pessoas a encontrarem sua rota, eu precisei encontrar a minha.
Sempre fui uma menina ativa, curiosa e cheia de ideias.
Cresci em uma família amorosa, onde cuidar e ajudar o outro fazia parte da nossa maneira de viver. Minha infância foi meio cor-de-rosa.
Até que a vida começou a mudar de cor.
Do rosa foi para o roxo. Vamos dizer assim! kkk
Casei aos 21 anos e, em pouco mais de dois anos, já era mãe de dois filhos, com apenas um ano e meio de diferença entre eles.
Eu era filha, esposa, nora, mãe…
Mas, no meio de tantos papéis, fui deixando de saber quem era eu.
Não me reconhecia mais.
Onde foi que eu me perdi de mim?
Foi aí que comecei a procurar respostas.
Vieram profissionais que me ajudaram, livros de autoconhecimento e uma curiosidade cada vez maior sobre equilíbrio, bem-estar e sobre aquilo que faz uma pessoa viver melhor.
Foi nessa busca que fiz Design de Interiores e me especializei em Feng Shui.
Mas nunca me interessou apenas deixar uma casa bonita.
Eu queria entender como os lugares onde vivemos interferem na maneira como nos sentimos.
Durante aproximadamente 25 anos, trabalhei com casas e famílias, decorando, reformando e harmonizando ambientes.
E enquanto eu ajudava a transformar casas, a vida continuava me transformando também.

E então chegou a internet…
Curiosa como sempre fui, claro que fui descobrir o que dava para inventar naquele mundo novo. kkk
Criei um grupo de artes no Facebook para reunir mulheres, divulgar seus trabalhos e ajudá-las também a transformar seus talentos em uma possibilidade de renda.
O grupo cresceu, tornou-se referência e nossa história chegou até a capa do jornal da cidade.
Mas ficar apenas atrás de uma tela nunca foi muito a minha cara.
Eu queria gente encontrando gente.
Vieram as aulas de bordado e crochê, os encontros presenciais, as viagens culturais, as conversas, as confidências e os afetos.
O que começou no virtual ganhou vida fora dele.
Criamos uma comunidade.
E dessa vontade de compartilhar nasceu também o Criando uma Vida sem Frescura.
Convidei profissionais de diferentes áreas da minha cidade para dividirem seus conhecimentos no blog. E novas conexões começaram a acontecer.
O virtual virou real. E o real voltou para o virtual.

Até que veio a pandemia.
E tudo parou.
Foi nesse momento que minha curiosidade mudou de endereço.
Durante tantos anos eu havia estudado e observado como a casa interfere no ser humano.
Mas comecei a querer compreender o outro lado:
Como o ser humano, com sua história, suas dores, seus medos e seus padrões, interfere na casa que habita e, principalmente, na vida que constrói?
Foi quando mergulhei ainda mais profundamente no estudo do ser humano.
Vieram diferentes formações, abordagens integrativas, Neurociência, estudos sobre trauma e, finalmente, a Psicanálise.
E ali muitas peças começaram a encontrar seus lugares.
Passei a compreender melhor aquela jovem que um dia havia perdido a própria identidade.
Comecei a compreender de outra maneira como aprendemos a amar, pertencer, nos proteger e criar formas de sobreviver às nossas dores.
E também por que, tantas vezes, repetimos os mesmos caminhos mesmo querendo viver algo diferente.
Minha colcha de retalhos começou a fazer sentido.
Hoje consigo olhar para trás e perceber propósito até em algumas dores que vivi.
Talvez eu tenha precisado me perder e me encontrar diversas vezes para me tornar quem sou.
A menina curiosa continua aqui. A mulher que caiu, levantou e recalculou a rota também. Assim como a mãe e a profissional que continua estudando e fazendo perguntas.
E hoje existe uma versão de mim que amo profundamente: a avó de quatro netos.
Ser avó me faz sentir jovem novamente. Através deles, reencontro partes de mim e descubro emoções que nem sabia que cabiam aqui dentro.
Para mim, ser avó é um transbordar de amor.
E quando olho para todas essas versões da Ana, percebo que existe um fio costurando minha história inteira:
Pessoas.






As ferramentas foram mudando. O propósito, não.
Passei pela casa, pelo Feng Shui, pela arte, pela comunidade, pelos estudos e cheguei à Psicanálise.
Caminhos diferentes que, olhando hoje, sempre me levaram ao mesmo lugar:
pessoas cuidando de pessoas.
Mas o centro sempre foram as pessoas.
Seres humanos atravessados por suas dores, buscando amor, pertencimento, sentido e uma maneira melhor de viver.
E foi olhando para toda a minha trajetória que consegui reconhecer meu propósito:
Contribuir.
Contribuir com aquilo que vivi, com aquilo que aprendi e com tudo aquilo que continuo aprendendo.
Com o tempo, percebi que tudo aquilo que vivi e estudei também mudou a maneira como escuto quem chega até mim.
Quando alguém diz que se perdeu, que não se reconhece mais ou que não sabe por onde começar, muitas vezes reconheço ali um pedacinho de alguma Ana que eu também já fui.
Foi dessa experiência, somada aos meus estudos, que nasceu o Mapa de Reconexão®.
Não para entregar uma rota pronta.
Mas para ajudar cada pessoa a compreender onde está, como chegou até ali e começar a enxergar sua própria direção.
Essa é a minha história.
Hoje tenho orgulho de contá-la inteira — inclusive das partes que, durante muito tempo, eu gostaria que tivessem sido diferentes.
Porque, olhando para trás, consigo perceber que cada fase deixou alguma coisa em mim.
Algumas me ensinaram.
Outras me transformaram.
E algumas me obrigaram a recalcular a rota.
E a sua história?
Quando você olha para ela, consegue perceber não apenas aquilo que doeu, mas também aquilo que fez de você quem você é hoje?
Talvez você não precise apagar sua história.
Talvez precise compreendê-la.
Porque quando entendemos de onde viemos, fica mais fácil escolher para onde queremos ir.