Mamãe, deixe-me crescer!! Por Juliana Filleti S. Mellega/ Psicopedagoga Clínica

Há um tempinho, postei um texto falando de algumas interpretações da criança em relação ao “voltar a ser um bebê”… Muitas mamães se emocionaram e, de fato, reconheceram em seus filhos, as necessidades de buscarem abrigo e aconchego com atitudes primárias e infantilizadas.

Agora, em outro momento, vamos falar das mamães e papais que não deixam seus filhos crescerem? Vejamos se algumas dessas falas se encaixam nos cotidianos das famílias;

“-Filho, você quer comer, quer brincar, quer assistir tv…?” (perguntas em cima de perguntas).

“-Nossa, que sede!” (Deixa que eu pego água para você meu amor).

“-Vai tomar banho!” (E a cada cinco minutos, invade o banheiro para “fiscalizar” a limpeza)

“Ele não quis dizer isso!” (Quando a criança faz ou diz algo desagradável e os adultos se sobressaem na corrida para consertar as discórdias).

“-Ele está com sono!” (Tentamos justificar as atitudes).

“Ela está tentando explicar…” (e assim, antecipamos o assunto e contamos as histórias).

Essas são apenas algumas das interferências que nós, adultos, fazemos diariamente na comunicação das nossas crianças. Muitas vezes, não fazemos por mal, mas deixamos de dar o tempo para que as crianças processem as informações e executem a aprendizagem de todas as coisas, não apenas dos conteúdos escolares… Como fazemos tudo por elas, impedimos que a frustração de não saber algo, tome espaço como uma experiência saudável e que nos possibilita ter repertório para os próximos desafios.

Para finalizar; existem muitas coisas que as crianças já executam sozinhas e que queremos fazer por elas. Mas, ao mesmo tempo, há muitas que elas não sabem e que não temos paciência para ensiná-las. Vai entender esses adultos! (rsrs)

(ASSESSORIA E CORREÇÃO DO TEXTO – PROFA LUCIANE MACEU)

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A minha mãe disse para eu “comer” o livro… Quando o estudo se transforma em castigo.Por Juliana Filleti S. Mellega/ Psicopedagoga Clínica

Menininho brilhante, cheio de energia e muito bom humor… Distraído, brincalhão, gosta de conversar sobre diversos assuntos e, por este motivo, deixa a desejar em seu rendimento pedagógico. Em casa, sente a necessidade de brincar, falar, fazer uma das coisas que mais gosta: jogar videogame! Até então, tudo certo… E quando chega a hora de estudar, eis a questão: cadê o menininho alegre e brincalhão que havia ali?

Acho que muitos pais reconhecerão o perfil apresentado acima. Algumas crianças amam aprender, mas quando o assunto é “estudar”, o cenário se modifica e tudo parece ficar tenso e nebuloso. A família tenta um pouco de tudo: busca profissionais para orientá-la, organiza um cantinho especial para estudo, propicia um ambiente tranquilo, compra livros… Enfim, inúmeras atitudes que parecem em vão!

E assim, surge a minha questão: por que alguns alunos brilhantes “odeiam” fazer tarefa e estudar?

É comum atendermos no consultório crianças e adolescentes que, apesar de toda facilidade em aprender, não conseguem bons resultados na escola. Bom, vou contar à vocês um caso interessante que, talvez, possa ajudar muitas famílias a compreender este contexto e analisar as situações pelas quais vivenciam diariamente.

Paulo – pseudônimo – era uma criança agitada e, segundo relatos da mãe, “manhosa”. Sempre chorou para entrar na escola, porém, demonstrava facilidade para aprender e assimilar os conteúdos. Foi crescendo e, como o comportamento necessitava de algumas melhorias, a família atribuiu todo o “peso” aos estudos. Foi assim que Paulo se tornou um menino avesso aos assuntos relacionados à escola. Não participava de aniversários porque deveria estudar… Perdeu o videogame porque deveria estudar… Não brincava com os vizinhos porque deveria estudar… E assim, o ato de estudar tornou-se seu pior pesadelo.

Uma história fictícia que ilustra muitos casos. Nós, adultos, muitas vezes colocamos o ato de estudar como “castigo” e, sem maiores intenções, transformamos toda a sede de aprender em terríveis traumas relacionados aos estudos. Para fecharmos esta reflexão eu lhes convido a observar como as crianças reagem diante de qualquer momento de aprendizagem: bicicleta, um jogo novo, um filme, a confecção de um material artesanal, a produção de um bolo… Eu posso garantir que, todos nós gostamos de aprender coisas novas, entretanto, precisamos de motivação. Uma dica: demonstre interesse pelos conteúdos, materiais e tudo o que engloba o universo escolar. Espere um tempo e terá em mãos um novo potencial: um aluno brilhante que se alimenta satisfatoriamente com tudo o que o universo lhe proporciona.

(Assessoria e correção do texto – Profa Luciane Maceu)

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A criança e a Psicopedagogia. Qual a participação dos pais?

Quando uma criança chega ao consultório de Psicopedagogia, muitas vezes, ela mal sabe o que está fazendo ali… Algumas estão alheias às suas necessidades e, como se fossem apenas pecinhas de um tabuleiro, são avisadas do tratamento apenas pelo profissional que irá atendê-la. Os pais, com receio de causar traumas e bloqueios, evitam tocar em assuntos relacionados às dificuldades de aprendizagem e agem como se nada estivesse acontecendo.

Essa falta de contato com a realidade parece algo óbvio, mas mesmo sendo pequena, a criança que recebe acolhimento e sabe o que está se passando na escola, traz, em si, uma amplitude de reações que favorecem a entrada do psicopedagogo. Sem saber para onde vai e por que veio, ela se depara com um assunto inédito: suas dificuldades de aprendizagem! No fundo, ela sabe, percebe que não acompanha os conteúdos escolares, sente a diferença entre seus pares, percebe o esforço da professora para tentar ensiná-la, mas, em contrapartida, em seu contexto domiciliar, tudo parece obscuro: todos lhe descrevem como “esperta/inteligente/sapeca” e assim, seguimos com a negação de que algo não está bem…

Essas crianças são frutos de uma família que, por inúmeros motivos, não sabe lidar com o fato de que existam dificuldades para aprender, mas que, ainda assim, continuará sendo “esperta/inteligente/sapeca”. Quando nos conscientizamos de que esse processo não existirá sem a participação dos pais, podemos entender que, a partir de uma conversa sincera e sem julgamentos, os pais se colocam como parte deste processo e, juntamente com o filho, chegam ao consultório… Juntos! E assim, iniciamos uma relação saudável, na qual a criança sentirá conforto e acolhimento em suas dificuldades. Saberá que terá auxílio em seus desafios e que a compreensão de suas formas de aprendizagem será algo bom para todos os envolvidos.

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